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  • camilacaputti

Chamado dos Caracóis

Reencontro com a natureza do meu olhar...

- Suécia- Estocolmo- 4/05/2018


É noite mas o sol ainda se pronuncia, é primavera em Estocolmo apesar do inverno ainda se fazer presente na janela da minha fotografia.

Hoje estou arrebatada pela magia margeada pelo estado de puro encantamento em poesia. Prosas e versos  reencontro, na conversa com um menino de dois anos, a natureza do meu olhar.

Ele segura no meu dedo e me convida para junto a ele, ao pé de um arbusto, caracóis encontrar.

Mas dou uns passos atrás na descrita do meu lembrar para melhor contextualizar. Estou caminhando num parque quando um  menino de cachinhos dourados olha nos meus olhos e diz:

"Mamma!" diz o menino estrangeiro a mim.

"Var är din mamma?" - "Onde está sua mãe?" pergunto eu em sua língua materna.

"Jobba"- "Trabalha", responde ele descendo prontamente de sua pequena bicicleta, se apartando do seu grupo de ciclistas mirins, para ter comigo e os caracóis à vista.

Magia… segurando no meu dedo, o menino me leva ao encontro de um arbusto que parecia não ter sequer uma caracol conquista. Mas de repente… encontro um, dois…  e até aquele mais no alto que achei que na minha pequena adultez nåo ia alcançar, alcancei! E de um passaram a ser dois, três, quatro… não sei nem contar quantas crianças vieram conosco se "caracolizar".

"A gente precisa cantar para os caracóis encontrar!" Falo eu em sueco para eles... Então a turma outrora a ciclar, começa a cantar junto a mim: "Lilla snigel akta dig, akta dig, akta dig… annans ta jag dig!" (Pequeno caracol cuidado… cuidado que eu pego você). Então peguei! E  de três passam a ser quatro, cinco, seis…. nove caracóis multicoloridos - agora eternamente grafados em foto no olhar desta primavera "clarianda" do meu olhar.

Até que então… Realidade muda de fotografia, meu juízo de adulto me buzina na mente - neste segundo em nostalgia -  para encerrar o meu primado "primavero" dia. É tarde, preciso voltar para casa e me debruçar a trabalhar como a mãe deste menino, imagino eu, está em sua adultez a se responsabilizar.

 Ao lado chega a professora -  que convida o menino, amigo meu, a voltar para sala de aula,  outrora vazia.

Ele chora, grita… ele está nos braços da professora e chuta o ar com suas pequeninas pernas desejantes, ao ser interrompido em seu movimento oposto ao comando de sua guia.

"Ele não quer entrar!" Imagino eu.  "Deseja seguir no colo aberto da mãe natureza dia!" grito eu em silêncio. Eu também não quero ir embora deste "momentum" de pura harmonia.

Eu me emociono… mas sigo… Sigo meus passos lembrando do acenado adeus nas mãos "pequititas" do meu mais novo amigo de cabelos de caracol, assim como os meus

Sigo... mas olho para trás e sustento a conexão no olhar até o dobrar da esquina.  Inspiro o ar profundo, sentindo brotar em mim uma sensação botão de flor prestes a se abrir… em meio a uma trilha sonora de um cantar de passarinhos que agora estou a ouvir!

E no disco flexível da minha memória fica o canto, que xamã chamou os caracóis de fim de abril, deixando o coração em chama espiralada de magia, no mês das mães, maio.

Escondida nos caracóis da minha cabeça, outrora adulterada do singelo e nítido olhar infantil

sou convocada a me deitar no colo da realidade mãe sutil.

Este é o meu dia que se fez claro de prosa e poesia

E que de reversos obscuros do meu dia a dia fez, de um breve primo encontro, primada matéria de versos e melodia.


(Trago em minhas mãos um pequeno pedaço de tronco que uma menina me deu no mesmo dia e este repousa em meu altar - Descrição do encontro no parque com crianças da escola Positivet - Södermalm)

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